domingo, abril 24, 2011

Bem mais um feriado de quarta…

A idéia de ter um feriadão emendado, que coma metade da semana produtiva é interessante, é empolgante, permite planejar milhões de folguedos e de festas privadas. Mas isso é ruim.

Vendo por um ângulo mais crítico: o feriado é a política do pão e circo. Sério, é como se o patrão dissesse: vai lá, trabalhador, encher a cara o fim de semana. É como se o trabalhador dissesse: vamos encher a cara o fim de semana inteiro. É como se o corrupto dissesse: vamos encher os bolsos o fim de semana inteiro. É como se você dissesse: vou dar uma pausa na minha vida o fim de semana inteiro.

Mas a realidade é que isso não é saudável, não é certo. Sou muito mais um feriado na quarta-feira, periodicamente. Sério: torna o trabalho muito mais light, porque quarta-feira – o auge de toda a sincronização industrialista – se torna um momento para você pensar sua semana, pensar sua vida, viver suas idéias, cuidar da sua casa, cuidar da sua família. Caramba: trabalhar de segunda a sexta das 8h às 17h não vai te levar a lugar nenhum, a não ser ao banco do ônibus no trânsito engarrafado!

Prefiro um feriado na quarta-feira, para que eu possa sair terça à noite sem me preocupar. Para que eu possa acordar um dia da semana e pegar praia, já que, via de regra, fim de semana chove. Para que eu possa respirar um pouco, sabendo que nos outros dois dias: tem trabalho, e é importante trabalhar nesses dois dias.

O feriado na quarta-feira não inviabiliza a semana produtiva industrial. Nem permite que o fim de semana “emende” nem permite que o trabalhador chegue ao fim da semana massacrado pela longa semana de luta.

Já pensou que nós vendemos 5 dias dos NOSSOS dias,semanalmente, e às vezes vendemos o resto deles também… E quando você vai ser você mesmo? Quando vai sair pra passear com seus filhos, quando vai fazer esporte? Ou a idéia é continuar nesse modelo que culpabiliza o indivíduo por não ter “sucesso na vida”?

G. Tritany

sábado, abril 16, 2011

Cara, outro dia…

… na cozinha, de papo com meu pai, enquanto ele dizia: “quando você passar nessa feira orgânica, traz mais dessa bananinha! Essa banana é muito boa.”

Agora, saca só: "essa banana é muito boa" o que isso quer dizer? essa frase compartilha uma informação evoutiva importante para a sobrevivência da espécie. Quê? É, eu acho a comunicação  uma coisa fantástica. Foi ela a maior invenção da humanidade. Da humanidade não, do GENE!

A idéia é que os indivíduos cuja genética possibilitou o desenvolvimento da linguagem, isso associado à comunicação, foram selecionados, num processo que dizimou aqueles que não eram capazes de compartilhar informações importantes à sobrevivência.

Então, dizer pra alguém que uma comida é boa significa participar, evolutivamente, do processo de sobrevivência do gene, que tem sua função evolutiva expressa na proteção daqueles que compartilham os mesmos genes com você, como explicado por Dawkins. A idéia é que você é só uma máquina de sobrevivência, que permite ao gene trocar informações com outros indivíduos, possuidores dos mesmos genes, que permitam a propagação do gene, direta ou indiretamente.

Aí, eu começo agora a indagar, se dentro dessa mesma teoria, dá pra explicar por que as pessoas trocam informações todos os dias à mesa de bar, no trabalho, em casa, na escola e nas ruas…

E isso era por causa da bananinha. Já nem lembrava mais dela.

G. Tritany

quinta-feira, abril 14, 2011

Sentado à varanda, olhando o céu à noite…

Eu sinto o cheiro mais gostoso do café que vem da cozinha, e escuto uma música leve. Pensar na minha vida tem sido coisa rara. Só consigo pensar que as coisas estão erradas demais, que as pessoas entenderam tudo errado, que vocês todos só estão brigando entre si por motivos esdrúxulos, que só levam pro buraco.

O Rio de Janeiro, me disse alguém, numa noite engraçada, é um monte de merda, e as pessoas ficam competindo pra mergulhar na merda. E imaginar esta cena só a torna mais real e mais viva cada vez que eu entro numa dessas vans, ou quando as pessoas brigam no metrô por um espaço que não existe, que não é delas…

Era muito café, ele derramou sobre toda a pia. Droga de cafeteira ruim! A questão é que algo simples como uma cafeteira pequena reflete como as pessoas não vivem mais. Sério, quando na casa de minha avó na interior, nós fazemos café no fogão. Ela deixa a água ferver, aí despeja aquilo com cuidado num filtro, direto numa garrafa térmica, o que deixa o café muito mais gostoso, mas custa um pouco de tempo a mais. Tempo que ninguém mais quer perder.

Perder? Perder é passar horas num engarrafamento, enchendo a cabeça de raiva, estressado porque a outra fila andou mais 17 metros que a sua! O Tempo é só o que temos; saber usá-lo pra viver bem é uma raridade hoje em dia.

A vida passa muito rápido, e se você não se dá conta disso, vai ficar num engarrafamento até o fim da vida. E vai brigar pra chegar mais cedo.

G. Tritany

domingo, março 20, 2011

à vontade… pro que quiser?

É estranho voltar as páginas e encontrar histórias escritas sob uma sensação tão negativa, um humor tão emocionado e carregado de palavras dolorosas. Me faz refletir: o que está escrito em outras páginas dessa história não me satisfaz, não me completa, não me diz “sou eu quem está aqui dentro, de verdade”.

Talvez as coisas devessem começar de novo. Ou não.

Espera só, toda essa coisa de blogar, de publicar, tudo veio na onda de uma história de um enrosco emocional que me prendeu a uma pergunta: o que é que eu estou fazendo aqui?

É sério, não adianta resolver que agora minha direção é outra, remodelar a coisa toda e não pensar um pouco na história. Sei lá… Acho que estou encontrando mais uma função pra isso aqui. Além de todo esse fundo de madeira, que parece muito com algo que eu talvez já nem seja, existe um registro pessoal de vários meses e de várias emoções. Mesmo que talvez só eu entenda todas as entrelinhas, quem viveu comigo cada história entende cada detalhe, e eu tenho um relato exato de como a descarga emocional balançava minha cabeça em diversos momentos dessa viagem. É claro que cada dia é um dia, e cada minuto é diferente do próximo, enquanto eu estou aqui sentado, tudo pode acontecer, e não dá pra registrar quase nada do que é a vida, essa explosão de fragmentos emocionais, que são captados em dimensões, enquanto nós vivemos conscientemente algumas delas, transitando sem saber por cada uma de nossas, sei lá, 18(!) realidades. Sei lá de onde vêm esses números. Já li algo assim, não lembro onde…

Já que é pra deixar marcado: quem sou eu hoje? Eu sou o cara que está sentado a escrever, precisando de um banho, mas com a cabeça acordada como uma criança a se divertir; sinto a calma das noites solitárias, as quais tenho tido pouco tempo para aproveitar… De qualquer forma, me sinto livre, em contato com alguma rede real, que liga tudo que é vivo, transforma seu éter e dá origem às idéias e aos desejos… Sei lá, tou precisando de um tempo pra cair na farra, curtir a noite, sentir o vento cortar a minha barba feita pela manhã, e quando as costas estiverem suadas após uma corrida noturna, talvez eu me sente neste mesmo sofá improvisado e converse um pouco com quem tem muito mais história pra contar.

E quem sabe as noites caladas não tenham mais pra mostrar do que o suor refletindo a luz da lua?

G. Tritany

quinta-feira, março 10, 2011

Em minha solidão dos dias quentes, esfriando a cabeça no mar do mata…

Eu penso que poderia estar sentado no meu sofá universo onde reflito sobre as coisas que as pessoas me contam sobre suas vidas, e sobre o que eu repasso aqui sobre a minha, como produto de uma relação de coletividade dependente de outras vidas. É sério, você é um ser social, ou então não pode se reivindicar humano.

O certo é que o sol do matadeiro é sempre lindo, e o mar é sempre claro. Ou pelo menos quando eu estou lá, porque aquilo pra mim é Floripa. É correr pela areia fina, é entrar no mar limpo e de ondas altas, cheio de felicidade, bem acompanhado como se estivesse só com Deus, numa alegria, porque é isso que me bate quando eu olho aqueles morros e aquela gente bonita, que banha seus corpos com o sol frio dos dias na ilha da magia.

Sei lá o que eu deveria pensar agora. Eu só sei que a minha história se transforma, e quanto mais eu leio, quanto mais eu penso, mais tudo se torna claro, e a cada hora eu me sinto mais imerso na vontade de destrinchar, de amarrar as coisas, de chegar na raiz, de chegar ao fundo das idéias.

Se quiser, entenda: eu só tenho o compromisso comigo mesmo, de cair todo dia naquela água gelada e nadar milhares de braçadas até cansar e respirar fundo, sentir o vento quente do Rio de Janeiro e me sentar à mesa onde se discute o sexo dos elefantes, porque é isso que importa mesmo. Foda-se.

Viagem? Não.

Quando você chegar lá, vai entender o que eu digo.

G. Tritany

domingo, fevereiro 06, 2011

Meu maior acerto, meu maior erro...

 É estranho pensar que tudo mudou, e continuar com aquele gostinho, querendo cada vez mais...
Quando a gente se viu, foi a comoção, choramos juntos por umas horas, e a cada segundo, sentindo um novo calor, fruto de um abraço tão gostoso, que nunca vai deixar minha emoção. É porque amar é tão doído, que vamos nos largar no mundo, sentindo nossas dores até que a saudade as transforme em sorrisos. Não estou feliz. Claro que vai doer demais, mas não sou eu quem manda, e foi tudo minha culpa. Eu tenho é que lutar pra mudar, pra ser sincero sem machucar, pra ser honesto e não me afastar, tenho que amá-la em silêncio... Se eu pudesse tê-la de volta agora, talvez as coisas fossem diferentes, mas acho que é assim que se cresce, e é assim que ela quer crescer. 
Amor não vai faltar, e eu estarei esperando o seu coração esquecer essa dor, pra se juntar ao meu, de novo.
Daqui pra frente, não sou mais eu. Tenho que me descobrir, e a viagem há de ser longa e intensa...
Quando eu voltar, mais moreno e cansado, a gente se liga.


G. Tritany

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

Pratagi não é Pratagy

Dia lindo; o vento soprava por entre os coqueiros altos de Maceió, e rumávamos a outra praia paradisíaca. Eis que surge a idéia de visitar Pratagi, de difícil acesso por estar bloqueada pelos interesses hoteleiros.

Acontece que, ao chegar à parte sombreada pelos belos coqueiros, somos interpelados por dois seguranças, que nos pedem, sem a menor vergonha na cara, para sair dali. Ora, a praia não é do hotel, e não temos nada a ver com o fato de os hóspedes esnobes acharem que podem ser assaltados.

Esse quadro é fruto de um escapismo da realidade que é característicos dos ricos. Esquecem que também são gente, igual gente que trabalha, igual gente que sua, pega ônibus, que implora e que não se hospeda em hotéis como o Pratagy Resort, que tenta, como seus simpáticos esforços, privatizar a praia de Pratagi, presente dos céus à humanidade.

Claro que não dá pra passar sem uma piadinha: “Poxa, que bom é poder estar na praia e saber que não vão mexer nas nossas coisas, com dois seguranças olhando o tempo inteiro”. Sim, dois seguranças nos olhando a cada segundo, prontos para agir contra nós; prontos para agir contra a classe trabalhadora, prontos para agir contra a SUA classe, na defesa de um império que o explora através desse trabalho ilegal, sem piedade do pobre segurança, que também é gente como a gente, que trabalha, sua, pega ônibus, implora e que não se hospeda no Pratagy.

Dignidade é só um detalhe; é facilmente comprável, se você souber oprimir certo.

G. Tritany

sexta-feira, janeiro 21, 2011

Lembrete…

Se eu estou, hoje, vivendo o meu pesadelo, é por culpa minha. Eu sei disso. Eu sempre soube que uma hora a minha infantilidade ia explodir uma bomba.
Eu tenho que lembrar todos os dias, todos os dias, que o mais importante é ser quem eu sou, ser um só, e me conhecer, pra respeitar os limites e pra viver junto de quem amo.
Hoje sofri muito. Sofri como não queria ter sofrido, como já fiz sofrer. Eu estou arrependido demais, mas o que eu fiz? Não fiz, continuei.
E agora? Como é que eu mudo, como é que eu aprendo a viver assim?
Ela tinha razão, ela sempre tem razão. É por isso que eu gosto dela, é por isso que ela me faz tão bem. Ela é sempre segura, sempre madura, e eu sou tão bobo, tão possessivo, tão irracional. Não sei se até agora mereci tudo o que tive, mas talvez eu esteja começando a me tornar grato.
Só sei que essa idéia tem que ficar gravada na minha frente, tem que fazer total sentido na minha mente: Se eu quiser ser feliz novamente, tenho que mudar. Não dá pra continuar agindo dessa forma, afastando as pessoas que me amam. Não dá pra continuar gerando discussões sem sentido, baseadas em desconfiança e ciúme. Não dá.
Quero serenidade, quero paz, quero respeitar e ser respeitado, quero continuar a viver esse amor intenso que a gente construiu passo a passo, e que me faz tão bem, e te faz muito bem também, e você sabe.
Somos dois, somos diferentes sim. Mas eu acredito que podemos, sim, ficar juntos, e eu vou fazer o máximo pra que sejamos felizes.

terça-feira, janeiro 04, 2011

Do Avião, Fim de linha, fim de férias…

É só um segundo quando você acorda e descobre que está atrasado, mas dá uma puta sorte de conseguir um outro vôo. Sorte? Não sei.

Acho que passei muito do meu precioso tempo me lamentando sobre o quão precioso e escasso ele é, ao invés de aproveitá-lo como seria de se esperar de alguém que passou um último mês tão apertado. Talvez seja só o estresse que me acostuma a estar pressionado por alguma coisa; normalmente um prazo, como o do fim das férias.

É sempre lindo chegar em Florianópolis, e por algum motivo, também é sempre lindo decolar daqui. As paisagens são de encher os olhos, como eu tenho certeza que logo os meus se encherão de lágrimas. Não é a emoção de assistir ao show de beleza das praias lá embaixo, mas a de saber que a vida acadêmica continua, mesmo que a minha emoção diga: EU QUERO FICAR MAIS!

A gente nem sempre ganha o que quer, mas pode a qualquer momento buscar com mais gana, com mais garra. Esses poucos dias em Floripa foram ótimos. Aqui é a Cidade do Verão mesmo. É um nomezinho que eu dou a essa cidade num tom humorado e divertido, mas irônico, claro. É incrível como a gente pode se divertir com as contradições aqui, com a maneira como eles tratam os turistas, com a falta de estrutura em contraste com a enorme propaganda que se faz, e com a cultura popular local… não aquelas danças, cantos, cores, mas os papos de bar, as fofocas de ônibus, as filas e o sotaque característico.

Talvez toda essa carga emocional sirva pra eu dar um jeito nas minhas coisas, pra eu reorganizar a vida, os horários, pra eu estudar direito. Quem sabe dessa forma as coisas não vêm mais tranquilamente pra mim? Foi assim em 2009…

Depois conversamos mais sobre a sala de estar neste ano…

Opa, vou decolar agora.

Bom dia.

G.Tritany

quarta-feira, dezembro 01, 2010

É disso que são feitos os sonhos…

Emprestando a frase do Van Halen pra iniciar uma postagem bastante sem sentido, talvez porque ela trate dos meus sonhos.

Essa noite, fui dormir com a certeza de que ia sonhar, adoro isso. Algumas coisas se misturaram, e eu pude sentir na pele algumas coisas rudes que já falei pra quem eu amo.

O mais curioso foi o último sonho, no qual eu estava morando numa sala de aula DENTRO do CCS, dormindo num beliche e cozinhando minha comida na faculdade também, com tudo o que eu comprava das feiras orgânicas que rolam.

E sei lá, eu dizia pra mim mesmo (no sonho): é tarde, vou descansar, tá na hora, estou tão cansado. E corria de um lado pro outro resolvendo problemas e me assustando com bonecos que sumiam ao toque, como voodoos pendurados pra assustar dentro de um banheiro público…

E no meio da correria, cheio de medos e incertezas, mas com um sono grande e uma vontade de sonhar: o despertador toca, e eu sei que já é hora de acordar. Mas me vem à mente uma idéia de que eu fiquei correndo pra lá e pra cá a noite toda, e não dormi nada. Por instantes, foi como se o sonho se integrasse à minha realidade, e eu não tivesse como dizer se aquilo foi real ou se foi sonho.

Estou vivendo assim, já não sei diferenciar os dois. Sei lá, talvez seja legal deixar rolar.

G. Tritany